A floresta de mangue ou manguezal compreende cerca de 20.000 km² do território brasileiro. Desde o estado do Amapá à Santa Catarina. Este ecossistema vem sofrendo há décadas com o crescimento desordenado das cidades, gerando sérios impactos de curto, médio e longo prazo. Percorrendo pelo litoral, de Ilhéus à Canavieiras, podemos visualizar as mudanças nas paisagens dos manguezais. Desde ocupações ilegais a problemas ligados a aterramento sanitário de má qualidade.
Existem, principalmente, três tipos de mangue. O mangue preto, onde habita regiões alagadas ou bem úmidas, utilizando de uma adaptação chamada pneumatóforos, que são nada mais que ramificações das raízes, ajudando na respiração da árvore. Mangue vermelho, onde habita regiões alagadas ou bem úmidas também, possuindo raízes mais robustas e áereas, servindo como proteção das margens ao assoreamento. E mangue branco, que habita áreas mais secas, devido a sua condição de existência mais sensível à relação submersa da raiz. Entretanto, todos esses tipos de mangue podem de alguma forma, coexistirem.
A flora dos manguezais passou por adaptações para resistirem ao ambiente salino. Uma de suas adaptações é a glândula de sal. Este tipo de glândula possibilita a excreção do sal pelas folhas. Para comprovar este processo evolutivo é só tocar com a língua uma folha de mangue. Outra adaptação dos mangues é a viviparidade, processo evolutivo no qual as sementes só desgrudam da folha mãe quando já possui extremidades grandes o suficiente para grudarem na margem e germinarem.
O local de encontro do rio com o mar é chamado de estuário. É justamente neste local que existe uma grande competição alimentar, seja da fauna do rio, quanto à trazida pela cheia das marés, intensificando o intercâmbio entre as espécies. Sabe-se que cerca de 70% das espécies marinhas já passaram ou vão passar algum tempo de sua vida nos rios que banham o mangue. Provando mais uma vez a importância de manter este ecossistema vivo.
O mangue no passado sofreu muito preconceito, era considerado um ambiente sem vida e por ser habitado por vetores de doenças como febre amarela e malária, foi suficiente para se fazer uma associação do mangue com o assolamento dessas doenças, gerando uma relação desagradável e injusta de mangue com bagunça, sujeira. e etc.
Hoje, sabemos que as florestas de mangue não tem nada com um ambiente inóspito e duentiu, vão muito além de berçário natural, mas também servem de rotas migratórias em determinada época do ano, como é o caso do maçarico. Uma ave vinda da América do Norte, todos os anos, no verão, em busca de um clima mais quente para se alimentar. Outros animais também utilizam as áreas de manguezais como território de caça, exemplo é o caso do guaxinim.
Sabe-se que o mangue tem um papel fundamental no reabastecimento da fauna pesqueira, servindo como berçário natural de muitas espécies que encontram neste tipo de bioma a chance certa para reproduzirem com mais segurança.Sem falar na importância social do mangue,milhares de famílias retiram do mangue o seu sustento.
Precisamos, sem dúvidas, prestar mais atenção aos nossos esquecidos manguezais. É uma forma de preservar o sustento das comunidades ribeirinhas, e, se pensarmos ao longo prazo, preservar a abundância da fauna marinha.
Por Fernando Landulfo
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
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